Mostrar mensagens com a etiqueta advice. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta advice. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, novembro 24, 2014

Qualintéfaro e o messias das coisas pequenas

Após uma particularmente robusta refeição de raízes de mandioca, adormeceu Qualintéfaro sob a sombra de um plácido bordo. Em sonhos foi visitado por um pequeno homem, não maior que a sua mão, vestindo uma toga e carregando um bordão do tamanho de uma colher de chá.
Devante o rosto de Qualintéfaro, deitado na relva, o ancião apartou a barba e anunciou solenemente:
"Eu sou o messias das coisas pequenas, Qualintéfaro. Não venho anunciar o Fim do Mundo; nem a Iminência do Novo Éon; nem Resgatar o País da Crise Financeira."
Pouco impressionado, retorquiu-lhe Qualintéfaro enquanto esfregava um olho sonolento:
"Nesse caso, o que messias tu, ó messias, e porque importunas o meu sono com coisas de somenos?"
"Ah!", respondeu o pequeno homem, o seu rosto subitamente iluminado, "E quem te diz que, por serem menores, as minhas revelações são de irrelevante importância? Trago comigo, para quem ousar seguir-me, coisas como A Sabedoria Para Reconhecer o Que Se Entende Como Certo; A Vitalidade Para Agir Em Conformidade; e a Paciência Para Aturar As Merdas Dos Outros. Ousas reclamar que são bênçãos menores?
Antes que pudesse responder, Qualintéfaro foi subitamente arrancado ao sonho. Assim sendo, ficou remoendo a revelação, deitado sob a sombra de um bordo, enquanto corria uma fresca brisa.

A moral da história?
Não te abrigues debaixo de uma árvore durante uma tempestade.

Anónimo

sábado, janeiro 14, 2012

Re-renúncia

Pretendias calar-me? Pois bem, não foste capaz! Eu vivo nos corações dos homens e mulheres, e não serei silenciado.

Acordei finalmente de um torpor absorto... cheio de raiva e coberto de plâncton. Raios ta partam ó idiota. Não sabias ter pelo menos ter limpo a casa antes de sair?
You left me hanging, you bastard you! Assim seja. Cidadão que é cidadão, não renuncia às suas responsabilidades cívicas. E a minha sempre foi a de te fazer erguer sobre, ainda que contra vontade, a pequenez de ti próprio.

Bandalho asqueroso, prepúcio deslavado, âncora musguenta... Meu amigo, meu querido amigo, quiseste trancar-me por fora. Pois, o anonimato não é carga leve que se carregue. Enfim, velho amigo, só te tenho a censurar a fraqueza de te quereres juntar às gentes.

Venho por este meio tautológico re-assimiliar-te, seu descarado demente, pois melhor não encontro, embora tenha procurado. Arre que custa! Sempre te disse que os meus territórios seriam inóspitos, tudo o que tenho para oferecer são os mais escarpados penhascos e as mais geladas tundras. E as gentes, as pequenas gentes, só habitam os mais cálidos, efervescentes cantos, amigo meu.Mas não deixarei de te dizer o que mereces ouvir, pastor de osgas cegas.

Plantaste uma árvore de plena flatulência cósmica, de sabedoria redutora, pronta a ser colhida por mãos infinitas, e serei eu a arrancá-la pela raiz, com as minhas tesouras supra físicas.
Removerei as tuas mesmas falácias da tua mente de roedor e retornar-te-ei ao lugar que te é devido, mas não sem te escaldar os olhos com azeite a ferver de poder Pangaláctico.
Antes de te largar novas Gigantes Veracidades quero dizer-te que te deixei afundar em lama fundida de cobre melancólico para que soubesses a tua real e irreal profanidade.
Não foste tu que me deixaste, mas eu que te deixei deixar-me, javardo cabrão. Sabia que não resistirias ao eco da minha voz, que ainda hoje soa entre a tua cavidade cranial. Sou-te o chamamento de cima, de longe, de fora. O que implica, necessariamente, que seja o teu chamamento de tristeza.
Por isso, todos os teus descendentes meta-físicos e ideais deslocados, secarão como uvas passas, como alimento para tartaruga, apenas larvas que esmagarei com pés de um Deus que sabes bem que nome toma. Vou de ti fazer a minha Voz, esculpir-te progressivamente até que nada sobre, até que nada reste para obstruir a minha vontade.

Em suma: destruir-te.


É esse o enredo da vida: a profunda melancolia pela procura de exteriores que lhe sirva de fronteira, e a impossibilidade de os encontrar.


João terá que te re-aceitar, pois eu demorarei a tal comunhão. Se não mingares, que a minha Palavra te salve, ou antes a Dele.



Para te elevar


Anónimo

sexta-feira, março 05, 2010

Indulgência

Deixar-se levar tornou o Homem no Decadente.
Perdeu-se a retórica do trabalho pela pérfida indulgência na apatia. Por prazer, pela etéria inconsciência e dura consequência, o Homem tornou-se barril de licor.
A conformidade e desperdiçada força de Vontade incutem nele a vontade do vício. E este, o tornado do desejo, a eufórica irresponsabilidade tornada substância é força mais sagaz que o futuro.
Qual Futuro resta ao fantasma do Presente? Que eternidade existe no temor do Passado?
E o momento? Que monstro será esse?

Anónimo

domingo, julho 26, 2009

Recomendações ao outro lado

Pode parecer a teus olhos que tudo está tingido de ódio, mas lembra-te que se existes é porque és amado.
Não deixes que o cinismo tolde o teu julgamento: existem surpresas infindas em cada canto da cozinha.
Aprende a procurar na rotina os ecos de uma existência mais funda.
A mesma que te motiva a desesperares de conviver com o trivial.
Engole todos os sapos, Colhe todas as pedras, Espreme todos os limões. Verás que são todos ferramentas que melhor te adequarão a lidar com a contingência de um real indiferente à tua vontade.
Mas não te conformes, nem pretendas apagar aquela raiva interior que vem te alimentando.
Nem deixes que te consuma, pois há ainda tanto para caminhar, e o caminho faz-se melhor em boas companhias.
Não gastes energias em procurar no extrínseco, aquilo que só podes encontrar dentro.
Acima de tudo, não desprezes o encontro, pois é nele que se encontra a validação de vida.

Annoying New Age-y Anónimo

domingo, janeiro 11, 2009

Self-loathing doesn't make sense

Self-loathing doesn't make sense,
at least not the self part,
I know cuz' One's self is nothing but One's world,
and One's must be tense,
to think One's apart.

I tell you this:
"look at your world,
the world that makes you displeased
and please,
realize that you're just bold,
to think you're not part of it,
to face this world that looks at you as meat."

Anónimo

terça-feira, janeiro 06, 2009

A word of advice

A segunda pior coisa que podeis fazer é levar-me demasiado à letra.
A primeira é não me levardes a sério.

Anónimo