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segunda-feira, abril 23, 2012

This Is Not Sparta

A Natureza não me fez combatente
Eu bato-me a golpes ritmados de anca
Na pista de dança como na alcova
Tão pouco me soube fazer capaz
Da força das convicções que por norma servem de combustível ao arremesso de
Cocktails molotov

Por isso não me alistem nas vossas fileiras
Por favor não me colem cartazes às mãos

(De mais a mais, julgo ser mais subversivo o pingar do mel
Do que o bater de um punho)

Anónimo

quinta-feira, outubro 22, 2009

Diatrip

Aqui o Cidadão sempre fez campanha pela substituição da instituição obsoleta que é a Política pela Arte. Troque-se o debate por lindas lutas de tartes. Reserve-se o Parlamento às produções teatrais. Façam-se eleições não com o voto, mas com ovações. Faça-se poesia, não ideologia!
Os detratores da Arte dirão: "Ah, circenses, circenses, é tudo muito bonito mas quem trata do panem? A quem é que a Arte alguma vez deu de comer?" Pois bem, Salvador Dali foi obscenamente rico e Picasso pagava os bagaços com Arte! E eu devolvo a questão: a quem é que a Arte alguma vez privou de comer? Exceptuando o próprio artista? E quantos milhões não afastou a Política do pão que lhes era devido? Ah, a Arte é inocente, meus amigos! Não tentem vestir-lhe culpas que não lhe servem. A Arte é inimputável!
Desde muito cedo a Arte percebeu a importância vital do hedonismo, e é por isso que os maiores artistas foram quase sempre uns javardos de primeira. E se por vezes tropeçavam na Política era porque a folia lhes embotava o juízo, e por serem incapazes de dizer não a uma boa droga.
Acusar-me-ão de incitar à desordem. Ah, mas que falta fazia um pouco de caos que sacudisse o bafio das sérias convicções. Apelidar-me-ão de "anarquista"... Mas um anarquista nem sempre é anarca. Por vezes é democrata, outras aristocrata, até mesmo sociopata. Mas nunca, nunca autarca. Credo!

Anónimo