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quinta-feira, junho 07, 2012

Submersão

viajantes trôpegos que somos todos
amiúde procuramos uma parede que nos sustente
e oriente o desnorte da nossa passada

mas no meio de muitas fraquezas e indelicadezas
descobri-me sempre feito de uma estóica solidez

e com a prática aperfeiçoei a arte de suster a respiração por muito tempo
tomada não raras vezes por frieza
mas que no fundo não é mais que um aguçado sentido de sobrevivência

Anónimo

quarta-feira, março 16, 2011

Fogo

Que chama é esta a que chamas de chama?
Que ao chamar de chama por chamar
se torna tão gélida
que chamas por uma chama
que te aqueça.

Que chama é esta que chamas de chama?
Que quando te chamo arde e
tanto queima quando a apagas?

Que chama é esta que chamas de chama por chamar.
Que ao chamar chama a algo tão frio,
perde a chama qualquer pavio.
E não arde por amar.

Que chama é esta?
Que queima e arde e fere
mas não aquece.

Anónimo

domingo, fevereiro 06, 2011

Lapis Philosophorum

Só consigo criar se movido por uma dada insatisfação. É da fundamental inadaptação ao ser que brota a fonte do novo. Mais não faço senão misturar os ingredientes da ansiedade no caldeirão da experimentação. E esperar que, no processo, daí surja essa matéria mais pura, o cristal límpido do amor.

Ou não fosse a existência desejo.

E o desejo, sofrimento.

Anónimo

sexta-feira, junho 04, 2010

tug of war

dont you ever get tired
of this old tug of war
this push/pull play of the sexes
thats long been overplayed
id much rather just laze around the garden
and fuck our brains out

Anónimo

domingo, fevereiro 14, 2010

Empire rising

Saber cultivar o sentimento de ódio. Só a quem é capaz de odiar sem restrições estão abertos os portões do infinit'amor.
Falo do ódio não rancoroso, livre de sentimentalismos. Um ódio límpido e cristalino que nos permita ser faca, de gume afiado e por isso mais misericordioso. Não raras vezes, só uma lâmina pode romper as muralhas do coração.

Anónimo

quarta-feira, novembro 05, 2008

Tenho dito!

A mim, os de olhar nervoso, a dardejar em todas as direcções,
Que fulmina quem nele se atravessa

A mim, os possuidores de imaginações furiosas,
Que os fazem confundir frequentemente
O que está dentro com o que está fora

A mim, aqueles de mercúrio,
Impossíveis de agarrar

A mim, os que estão em constante expansão desde o início dos tempos,
Já antevendo a sua própria consumação
Porque é inevitável que se dissolvam em qualquer ninharia

A mim, aqueles que quando falam lhes tremem os dentes
E lhes palpita o coração

A mim, aqueles que quando riem ou choram o fazem como se não houvesse diferença entre essas coisas,
Porque reconhecem não haver diferença entre essas coisas

A mim, aqueles que amam de tal forma que lhes parece sempre uma violência que se inflige

Anónimo

segunda-feira, junho 12, 2006

Intimacy... a disease, an emotion, a necessity, a hope?
You fight for intimacy? You fight for a friend?
You fight for a loved one? What is it you want?
Disguised as an hope? don't you mean despair?
I should have known that all of that was just an act...
But should I accuse you? Should I blame you? Should I fell disgusted?
No... just another symptom.. just another of your pathetic emotions... just another cause..
If any of you have a simple life, if any of you think there's not more than you can see or hear or feel or smell or taste...
WAKE THE FUCK UP!!!

Annoyed Anónimo