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segunda-feira, novembro 19, 2012

Doença

Doença, perdidos na doença, uma breve e crónica doença.
Não prescrevo remédios para prescrever outros.
Remédios, curas, mesinhas e tratamentos, qualquer coisa para vos livrar dessa agrura.
Ou deixo-vos, levados pelo tempo.

Anónimo

domingo, fevereiro 26, 2012

Contra-natura

Viver é um acto de rebelião contra o Cosmos. A Vida não é nativa a este Universo, é a coisa anti-natural por excelência. E nós, os vivos, somos todos, sem excepção, tremendas forças guerreiras combatendo poderes desproporcionais. Chegamos esperneando e gritando e saímos da mesma forma. Se tudo correr bem, pelo meio faremos exactamente a mesma coisa.
Cada segundo que passa sem que o Universo nos faça a folha é uma vitória colossal. É certo que não passamos de um lapso de meros biliões de anos e que a derrota é inevitável. Mas enquanto vivemos, e mantemos a chama acesa, o Universo é humilhado.

Anónimo

domingo, março 06, 2011

da morte e da memória

Com a morte ninguém se mete, ninguém alinha ou apoia,
se a morte fosse gente era eremita e ostracizada.
Se a morte fosse gente...
A morte é memória, assim como a vida.
A passagem do Ser pela Vida é apenas a sua capacidade de reconhecê-La e aperceber-se de que pode experimentá-La.
Daqui nascem as suas memórias, que objectivamente serão a Vida para o Ser. Assim, toda a sua experiência nesta Sua Vida será toda a memória experimentada.
Então a vida são experiências passadas e colectadas. Temos no entanto o caso do Ser Humano. Neste, estas experiências são guardadas durante quase toda a sua existência, tornando-as muitas vezes equivalentes às experiências que ainda não aconteceram. Temos os casos de demência, alucinações, ou simplesmente percepção o do que irá acontecer.
Logo a morte será aquelas memórias que ainda não aconteceram a estilhaçar-se no espaço-continuum de tudo o que ainda não existe.

Anónimo

domingo, janeiro 28, 2007

Há uma pulsao de morte subjacente a todas as aspiraçoes de vida. O ser impulsiona-se em direcçao da demasiada-luz, em supremos gestos suicidas. É por beber do cálice em tragos, é por se afogar no verde-absinto que é a seiva da vida, é por brincar inconscientemente em carris perdidos, que o homem que vive acaba por se consumir. Ou que acaba por ser consumido. Há sob todo o brilho eléctrico de vida, uma secreta aspiraçao de morte.

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